Três startups brasileiras com potencial para repetir o feito da 99 — valer US$ 1 bilhão

Brasil conheceu, oficialmente, o seu primeiro unicórnio na semana passada, com a compra do aplicativo 99 pela chinesa Didi, em um negócio que avaliou a empresa brasileira em US$ 1 bilhão

Com a compra do aplicativo brasileiro de transportes 99 pela chinesa Didi Chixing na semana passada, em um negócio que avaliou a startup brasileira em US$ 1 bilhão, o Brasil conheceu, oficialmente, o seu primeiro unicórnio (startups avaliadas em valor igual ou superior a US$ 1 bilhão).

Outras empresas, como Nubank, Movile e Psafe, também podem virar um unicórnio, já que receberam nos últimos anos grandes aportes financeiros. Elas ganharam destaque no mercado, pois conseguiram criar produtos ou serviços com alta adesão do público e com grande potencial de crescimento. Essas empresas também possuem estruturas enxutas, custos reduzidos e foco em tecnologia.

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Confira, abaixo, um perfil das três startups brasileiras que podem ser o próximo unicórnio brasileiro:

Nubank

Principal nome entre as fintechs, como são chamadas as startups que atuam com produtos e serviços financeiros, o Nubank lançou em 2014 um cartão de crédito sem anuidade e que é solicitado e gerido através de um aplicativo. Em três anos, a empresa recebeu 13 milhões de pedidos e tem, segundo o último dado divulgado, 2,5 milhões de cartões ativos.

A fintech já atraiu cerca de US$ 180 milhões em investimentos dos fundos Sequoia Capital, Kaszek Ventures, Tiger Global, QED, Founders Fund e DST Global. Ela já foi eleita duas vezes a melhor empresa B2C (business to customer, ou seja, que se relaciona direto com o cliente) pelo Latam Founders, uma espécie de “Oscar das startups” na América Latina. A empresa aparece, ainda, como a 12.ª fintech mais inovadora do mundo, de acordo com estudo elaborado pela KPMG e a H2 Ventures.

No ano passado, lançou seu programa de fidelidade, chamado de “Nubank Rewards”. Através dele, os clientes acumulam um ponto a cada real gasto e podem usar os pontos acumulados para apagar contas feitas em empresas como companhias aéreas e hotéis e serviços como assinaturas digitais e Uber e Netflix.

O Nubank também lançou, no ano passado, a “Nu Conta”. Trata-se de uma conta digital, com a função de enviar e receber dinheiro em tempo real para outras NuContas e fazer transferências (TEDs) para todos os bancos sem pagar tarifas. Outros tipos de operações, como saque de dinheiro, ainda não estão disponíveis.

A empresa abriu, ainda, seu primeiro escritório fora do país, em Berlim, na Alemanha, no fim de 2017. A unidade internacional conta com uma equipe de infraestrutura e engenharia de dados e tem como foco desenvolver tecnologicamente novas soluções e aprimorar as já existentes. A ideia de abrir um escritório na Alemanha foi aproveitar o vasto número de engenheiros na região, devido à dificuldade para encontrar mão de obra especializada no Brasil.

Por enquanto, o Nunbak não prevê uma expansão internacional do seu produto.

Movile
Dona dos aplicativos iFood e PlayKids, entre outros, a Movile é uma empresa que captou, desde a sua fundação, em 1998, mais de US$ 250 milhões em investimento de fundos como o brasileiro Innova Capital, de Jorge Paulo Lemnan, e o sul-africano Naspers. Grande parte do dinheiro foi utilizada para fazer a aquisição de mais de 20 startups que possuem como produto principal um aplicativo. Entre as aquisições e fusões, estão: PlayKids, Sympla, iFood, Rapiddo, MapLink, Apontador e SuperPlayer.

A empresa começou desenvolvendo serviços para operadoras de celular, como jogos e um bate-papo para mensagens de texto (SMS). Com as mudanças tecnológicas, a empresa adaptou seu modelo de negócio e passou a desenvolver aplicativos. Para facilitar sua expansão e povoar as lojas on-line, liderou a aquisição de mais de 20 startups para melhorar e expandir aplicativos e plataformas de intermediação que já existiam no mercado.

A aquisição mais bem sucedida foi do iFood, uma plataforma de entrega de comidas. A Movile conseguiu transformar o aplicativo em líder no seu segmento em toda a América Latina. O iFood tem 5 milhões de usuários e está presente no Brasil, Argentina, México e Colombia.

Outro aplicativo de destaque da Movile é o PlayKids. Ele funciona como uma espécie de Netflix para crianças, com desenhos, programas de tevê, livros e jogos educativos. O produto está presente em mais de 20 países e, em muitos deles, incluindo o Brasil, é líder em downloads e número de usuários.

A Movile já soma mais de 100 milhões de usuários ativos mensalmente. A meta é chegar a 1 bilhão de usuários ativos. Entre seus aplicativos, o que ganha mais atenção é o iFood – grande parte do aporte mais recente recebido, de US$ 80 milhões, será usado para aumentar a presença da plataforma no Brasil e nos demais países da América Latina.

A empresa tem 15 escritórios, incluindo Brasil, parte da América Latina, Estados Unidos e França. São 1,6 mil funcionários.

PSafe

Dona de um aplicativo de antivírus para smartphones Android, a PSafe é uma empresa brasileiras com pé global. Sua sede fica no Vale do Silício, em São Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos, fruto de um investimento de US$ 20 milhões no fim de 2016. Ela também mantém três escritórios no Brasil.

A empresa já recebeu cerca de US$ 90 milhões em rodadas de investimento, de investidores como Redpoint e.ventures, Pinnacle Ventures e RPeV. Ela também foi a primeira startup brasileira a ultrapassar o valor de mercado de R$ 1 bilhão. O montante, porém, ainda é insuficiente para torna-la um unicórnio (startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais).

A PSafe tem mais de 20 milhões de usuários mensais dos seus três produtos e o número de downloads já ultrapassou 100 milhões. O principal produto da empresa é o PSafe DFNDR, um antivírus e aplicativo de segurança para Android. A empresa tem ainda o DFNDR VPN, para se proteger em conexões à internet, e o DFNDR Vault, para proteger aplicativos, documentos e fotos específicos. Os aplicativos são gratuitos, mas há funcionalidades pagas. A principal forma de receita da empresa é publicidade.

No ano passado, a PSafe traçou um plano de crescer nos Estados Unidos. A empresa adaptou o nome dos seus aplicativos para que eles pudessem ser melhores compreendidos por americanos. Por exemplo, o antivírus PSafe Total passou a se chamar PSafe DFNDR (“defender”, ou “defensor”, em inglês, mas sem as vogais). O objetivo é alcançar 8 milhões de usuários ativos somente nos Estados Unidos.

A startup também já projeto o mercado europeu e o lançamento de uma versão paga do PSafe DFNDR.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br – 09/01/2018